Oncologia de precisão: você sabe o que é?


Por Dra. Camila Molina, Oncologista Clínica que compõe o time multidisciplinar do CPO.

Antes da oncologia de precisão, a maioria dos pacientes com um tipo especifico de câncer e estadiamento recebiam o mesmo tratamento. No entanto, foi observado que alguns pacientes respondiam bem a alguns tratamentos, enquanto outros não tão bem.

Com o crescimento do conhecimento genético, descobriu-se que as diferenças genéticas nas pessoas e seus tumores explicava o porquê dessas diferentes respostas ao tratamento.

Através desta descoberta pode-se instituir um tratamento mais personalizado para a doença, a terapia alvo.

A terapia alvo implica em um tratamento que tem um alvo molecular especifico, direcionando a ação de medicamentos, exclusivamente ou quase exclusivamente, as células tumorais, reduzindo assim, suas atividades sobre as células saudáveis e os efeitos colaterais.

Esse alvo deve ser mensurável na clinica e deve estar correlacionado com o resultado de um teste laboratorial apropriado.

Existe uma serie de terapias alvo aprovadas para o tratamento de diferentes tipos de câncer. Alguns exemplos dessas terapias nos cânceres mais comuns são:

Câncer de mama:

No câncer de mama é importante a pesquisa de uma proteína denominada receptor de fato de crescimento epidérmico humano 2 (HER2) e a pesquisa da presença ou ausência de receptores hormonais (estrógeno e progesterona).

Cerca de 20 a 25% dos casos de câncer de mama tem a proteína HER2, que estimula o crescimento das células tumorais.

Se os resultados mostram que o tumor é HER2 positivo, existem vários medicamentos aprovados que podem ser utilizados como opções de tratamento, sendo um deles é o Trastuzumabe.

O mesmo acontece se houver expressão positiva de receptores hormonais, podendo assim fazer uso de alguns inibidores hormonais como o Tamoxifeno e Anastrozol.

Esta pesquisa é realizada através de um exame chamado Imunohistoquimica, que é feito através da analise dos tecidos, via microscópio, da biopsia do tumor.

Câncer colorretal:

Descobriu-se que medicamentos que bloqueiam o receptor de fator de crescimento epidérmico (EGFR), que muitas vezes é produzido em excesso neste tipo de câncer, pode ser eficaz para parar ou retardar o crescimento do câncer colorretal, se o tumor não tiver uma mutação no gene Kras.

A depender desta mutação do gene Kras o paciente pode fazer uso de medicações especificas como o Bevacizumabe e Cetuximabe.

A pesquisa da mutação do gene Kras e realizada através de sequenciamento genético do DNA tumoral, presente em fragmentos de tecido tumoral primário ou metastático (conservado em parafina ou congelado).

Câncer de pulmão:

Os medicamentos que bloqueiam o EGFR podem ser eficazes em deter ou retardar o crescimento do câncer de pulmão, especialmente se o gene EGFR contem determinadas mutações. A terapia alvo também esta disponível para o tratamento do câncer de pulmão através da presença do gene ALK.

Alguns medicamentos aprovados para o tratamento do câncer de pulmão com a mutação do gene EGFR e ALK são Erlotinibe e Crizotinibe, respectivamente.

Estes testes também são realizados através da pesquisa de sequenciamento genético do DNA.

Melanoma:

Aproximadamente 50% dos melanomas tem um gene BRAF mutado ou ativado.

Estudos mostram que pacientes que apresentam a mutação do gene BRAF podem ter uma melhor resposta a certos tipos de tratamento com drogas especificas como o Vemurafenibe.

Portanto, a oncologia de precisão tornou-se um avanço no tratamento do câncer, mas apenas alguns tipos podem ser tratados com estas drogas. Com poucas exceções, os pacientes geralmente recebem uma combinação de terapia alvo, cirurgia, quimioterapia, radioterapia e ou terapia hormonal.


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