Nutrição em cuidados paliativos oncológicos


Por Dra. Sandra Genaro, Nutricionista que compõe nosso time multidisciplinar, especialista em nutrição oncológica pelo INCA.

As doenças oncológicas são responsáveis por consequências que prejudicam a qualidade de vida do doente, tais como problemas psicossociais, alterações de humor, dificuldade em realizar as atividades diárias, prejuízo nas relações sociais, familiares, e de trabalho.

Em sua fase inicial, com objetivo de cura ou remissão, o tratamento do câncer geralmente é agressivo. Quando a doença já se apresenta em estágio avançado ou evolui para esta condição, a abordagem paliativa entra em cena no manejo dos sintomas de difícil controle e de alguns aspectos psicossociais associados à doença.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os “cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”.

O trabalho em equipe é extremamente importante para tomadas de decisões e formulações de condutas coerentes, considerando perspectivas a serem traçadas individualmente para cada paciente.

Um dos cuidados a serem tomados diz respeito à alimentação, que pode envolver afeto, carinho e vida, acima do atendimento das necessidades energéticas e proteicas. O alimento é capaz de exercer um papel importante na vida de todos nós, pois está relacionado às recordações agradáveis e prazerosas que determinadas preparações despertam em nossa vida.

Em algumas situações, o alimento acaba sendo mais notado pela sua ausência ou pelas dificuldades em sua ingestão do que pela presença ou prazer que proporciona. Além disso, os efeitos colaterais dos tratamentos também podem causar vários sintomas que atrapalham a ingestão alimentar. Quando esses fatores são somados, tem-se como consequência uma significante perda de peso.

O cuidado nutricional é uma das estratégias terapêuticas para o paciente com câncer em qualquer estágio da doença, inclusive em cuidados paliativos. A nutrição tem especial papel preventivo, possibilitando meios e vias de alimentação, auxiliando na redução dos efeitos adversos provocados pelos tratamentos, controle de sintomas e desde que aderida pelo paciente, é capaz de preservar o peso e a composição corporal.

A prescrição dietética, além de fornecer necessidades nutricionais adequadas a cada paciente, deve acima de tudo, oferecer prazer e conforto. Junto com outras medidas terapêuticas, é capaz de contribuir com a manutenção da qualidade de vida do paciente.

Para tanto, o nutricionista em questão deve possuir conhecimento técnico dentro dessa especialidade, sendo responsável por oferecer recursos que auxiliam na evolução favorável do paciente, utilizando habilidade de comunicação tanto com o paciente como com seus familiares.

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Disponível em: <http://www.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=474>.

FERNANDES, E. A. O papel do nutricionista na equipe. In: CARVALHO, R. T.; PARSONS, H. A. Manual de Cuidados Paliativos ANCP. 2ed. Porto Alegre. Editora Meridional Ltda., 2012, 345-346.

OMS. Organização Mundial da Saúde. Disponível em: <http://www.who.int/cancer/palliative/es/>.


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