O papel do farmacêutico na oncologia


Por Nerriê Lelli Costa, farmacêutica responsável técnica do CPO

Nos últimos anos, o farmacêutico vem se tornando essencial no tratamento farmacoterapêutico e junto à equipe multidisciplinar. O farmacêutico é o profissional do medicamento, sendo assim, onde houver um medicamento, deve haver um farmacêutico.

Por uma questão cultural do nosso país, estávamos acostumados com o profissional que ficava atrás do balcão, ou no subsolo dos hospitais, dentro das farmácias hospitalares. Na última década o farmacêutico saiu desses lugares e foi ficar ainda mais próximo do paciente, ganhando o seu papel na equipe.

A terapia antineoplásica tem suas particularidades, e o paciente oncológico tem necessidades especificas que só uma equipe preparada e especializada consegue atendê-lo. O farmacêutico oncológico participa ativamente das atividades que envolvem a manipulação e gerenciamento dos medicamentos envolvidos no processo, fornecendo informações técnicas aos profissionais e pacientes, tornando-se peça fundamental para a garantia da qualidade dos procedimentos. Com a Resolução 565/12 do Conselho Federal de Farmácia, ficou privativa do farmacêutico a manipulação dos medicamentos antineoplásicos utilizados na quimioterapia, com isso, trouxe maior segurança ao tratamento e também ao paciente. Em 2016, novamente o Conselho Federal de Farmácia cria a RDC nº 623 onde deixa a titulação mínima em oncologia para que o farmacêutico possa atuar na área. Tudo isso com um único objetivo: garantir a qualidade e segurança do tratamento.

Além de garantir que a quimioterapia chegue ao paciente com segurança e com a mínima possibilidade de erro. O perfil do novo farmacêutico é de ficar mais próximo ao paciente, é de ouvi-lo, e tem como foco o atendimento humanizado, a esse novo perfil de profissional da a chance de trabalhar a farmácia clínica, que é perfil ouro em acompanhamento farmacoterapêutico. A farmácia clinica, que é atribuição restrita do farmacêutico, é algo ainda novo para o nossa realidade e um desafio para os profissionais, são poucos profissionais capacitados e atuando na área, isso porque é um novo desafio e demanda muito estudo e dedicação. A farmácia clinica não existe sem outros profissionais, pois não é um trabalho isolado, ela é um transcender de saberes. É impossível fazer farmácia clinica em um lugar onde não possa contar com uma equipe multidisciplinar. O farmacêutico clínico tem como objetivo a prática do uso racional de medicamentos, prestam cuidado ao paciente, de forma a otimizar a farmacoterapia, promovendo saúde e bem-estar , além da prevenção.

Através do acompanhamento farmacoterapêutico, se conhece o paciente, traça seu perfil farmacoterapêutico para garantir que não haja interação e incompatibilidades dos medicamentos já utilizados com os que serão administrados na quimioterapia, avaliando a indicação e posologia de cada medicamento; além de alergias e sintomas que devem ser relatados, possibilitando assim maior segurança. Estabelecer um vínculo farmacêutico-paciente é fundamental para garantir a adesão do paciente e o sucesso do tratamento respeitando suas limitações, hábitos e crenças para cumprir o plano terapêutico. O farmacêutico deve aconselhar e monitorar a terapia farmacológica, aconselhando o paciente com todas as informações necessárias quanto ao modo correto de usar e armazenar os medicamentos, alertando sobre os prováveis efeitos colaterais e interações com outros medicamentos, suplementos e alimentos, buscando encontrar e resolver de maneira sistematizada e documentada todos os problemas relacionados com os medicamentos que possam aparecer no transcorrer do tratamento.

Na oncologia, o farmacêutico se torna indispensável levando em conta a complexidade do tratamento, interações medicamentosas e reações adversas. Com o farmacêutico clínico na equipe é possível minimizar e até extinguir esses fatores. Com o acompanhamento farmacoterapêutico de cada paciente a garantia de uma terapia de sucesso é muito maior. Hoje, uma instituição de saúde que conta com um profissional com esse perfil só tem a ganhar, ganha a instituição e ganha muito mais o paciente.


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